O Porto

A entrada da cidade era feita por via marítima, os navios ficavam ao largo em águas profundas e os pequenos barquinhos traziam as pessoas até o ancoradouro. A vista demonstra à direita a Igreja do Carmo (hoje totalmente restaurada), e próximo do mar o chafariz de Mestre Valentim. Ao fundo o Convento do Carmo, onde se hospedou a Rainha Maria I e a esquerda o Paço com a elevação do Morro do Castelo, primeiro ponto de fortificação, ao fundo.

A vista do Paço e ao fundo a direita o Convento do Carmo e a Igreja da Ordem Terceira da Penitencia. A esquerda ficava o Cais Pharoux, onde se vêem andarilhos apreciando a vista.

Mapa antigo da Praça XV de 1850, antes dos aterros onde se vêem nitidamente a linha do mar seguindo a Praia do Peixe (Arsenal de Marinha) , a Praia de D.Manuel (Estação das Barcas, Museu Naval) e a Praia de Santa Luzia, com a Santa Casa de Misericórdia. Vê-se ainda o morro do Castelo, a Rua Direita (Primeiro de Março) e as transversais que se dirigiam ao mar.
Na história do Rio de Janeiro alguns pontos vistos no mapa são estratégicos. A Praia do Peixe, responsável pela chegada dos alimentos ao porto de entrada. O cais, na Praia de Dom Manuel, onde aportavam as pessoas e que podiam também se hospedar no Hotel Pharoux, que ali havia. A Santa Casa de Misericórdia e o Morro do Castelo estão ligados aos procedimentos militares que defendiam a entrada da cidade. A Santa Casa prestava atendimento aos feridos e com a chegada da Família Real, deu-se início à primeira Escola de Medicina no país.
O Mercado
Foi Grandjean de Montigny o projetor do grande primeiro mercado do Rio de Janeiro. Ele fazia parte da missão francesa de 1816 e recebeu o título de professor de arquitetura. Esse grupo de artistas, com a decadência do Império Napoleônico, acabou vindo para o Brasil, trazendo a cultura européia de última moda naquele momento de nossa capital. O Mercado foi inaugurado em 13 de maio de 1820, sendo a primeira edificação a Alfândega, atual Casa França Brasil. Os pavilhões do Mercado só surgiriam em 1869.

Desenho sobre o Mercado, na Praça XV.

Foto do chafariz do Mestre Valentim. A esquerda ao fundo o Convento do Carmo e a Igreja do Carmo, também se vê a Igreja da Ordem Terceira.Ao centro da foto, a última construção é o Hotel de France, hoje prédio do Ibama. A direita o chafariz em primeiro plano.

Foto de Marc Ferrez de 1868.Em primeiro plano o chafariz do Valentim (1789) e em segundo plano a fachada do Mercado, que foi destruída em um incêndio.

Pavilhões do Mercado , com o segundo andar, datado de 1870 e demolidos depois da construção do Viaduto da Perimetral.

Entrada do Mercado da Praça XV.

Foto da entrada do Mercado da Praça XV em 1957.Em primeiro plano a esquerda se vê a chata com rodas para transferências de cargas (burro sem rabo), atividade muito comum que empregava muitos imigrantes.

Foto aérea do Viaduto da Perimetral já construído e o Mercado ainda coexistindo. Posteriormente o Mercado veio a ser demolido em função da transferência para a Avenida Brasil. Sobrou uma cúpula à direita onde está o restaurante Albamar.
Inúmeras contestações se fazem:
1) O Viaduto poderia ser evitado? Foi construído posteriormente um mergulhão, o que poderia ter sido uma solução mais definitiva.
2) O Mercado não poderia ter sido remodelado e transformado para outros tipos de comércio e entretenimento? Aos sábados costuma haver ali uma feira informal e muito desconfortável do tipo brechós e antiguidades.
3) O que nós vamos fazer com a principal vista do berço da cidade?
Os arredores
Desde os tempos iniciais da cidade, em que esta era só um amontoado de habitações em desalinho, o Porto da Praça XV e o chafariz atraía o comércio ambulante. As reuniões dos negros apanhadores de água e barraqueiros eram comuns e davam sustentação à vida da cidade.



O conjunto que compreende a Praça XV com a Estação das Barcas e o largo do Paço Imperial poderia ser considerado o ponto histórico de origem do Rio de Janeiro dando oportunidade a um magnífico passeio para os nossos andarilhos.


A parte superior da foto é a Ilha das Cobras, atualmente agregada ao continente. Cortando em diagonal, vê-se a reta onde está o Arco do Teles sendo a última construção à direita hoje o prédio da bolsa de valores do Rio de Janeiro. Nota-se próximo ao ângulo inferior esquerdo o Convento do Carmo (hospedou a Rainha D. Maria I), atual Faculdade Candido Mendes. A antiga Rua Direita, hoje Primeiro de Março, corta a foto na frente da construção do convento. A foto foi tirada de cima do Morro do Castelo, já demolido.

Nessa vista, no ângulo inferior direito vêem-se a Igreja de São José e a Cadeia Pública, atual Palácio Tiradentes, Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro.

Rua Direita, hoje, Primeiro de Março.

O altar da Igreja do Carmo já restaurada.

Essa vista mostra o Convento do Carmo à esquerda, ao centro a Igreja do Carmo em branco, ao lado a Igreja da Ordem Terceira da Penitência, e mais a direita o Hotel De France (Prédio do Ibama) que recebia os navegantes andarilhos que chegavam ao Rio de Janeiro.
Fizemos recentemente com outros andarilhos a visita guiada a Igreja do Carmo,que conta a história do Rio de Janeiro passo a passo ligada a sua Sé. Sabe-se que a primeira missa da chegada de D.João VI não foi rezada ali pois se tratava apenas de uma capela, de Nossa Senhora do Ó (o nome vem da interjeição que antecede a adoração de Nossa Senhora). A primeira missa da Família Real no Brasil foi rezada na Igreja Nossa Senhora do Rosário, na Rua Uruguaiana, ao final da rua que tem seu nome. A ressaltar também, no subsolo da Igreja do Carmo estão os restos mortais do Cardeal Arcoverde e de Pedro Álvares Cabral. Segundo informação de nossa guia, quando em maré cheia, a parte inferior da cripta fica alagada, como se o mar quisesse vir buscar os restos do navegante que primeiro chegou ao Brasil.
Este roteiro é longo e deve incluir uma entrada no Arco do Teles, onde o casario está preservado, infelizmente em mau estado. Os pontos de interesse nesse trajeto incluirão o CCBB, o Centro Cultural dos Correios, e a Casa França Brasil.
Destacamos:
- Todo o complexo das Barcas, podendo-se pegar uma até Niterói com ótimo conforto.
- Arco do Teles – Restaurantes e cafeterias
- Rua da Assembléia – Lojas e livrarias no subsolo do prédio da Cândido Mendes.
- Rua Primeiro de Março – Restaurante Tempeh, Casa Granado (perfumaria).
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