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Campo Grande
 

Avenida Cesário de Mello

Campo Grande é um bairro da cidade do Rio de Janeiro de classe média e média-baixa, localizado na zona oeste da cidade com aproximadamente 297.494 habitantes inseridos numa área territorial de 11.912,53 hectares. Por ser um bairro de grandes extensões faz limite com outros dez bairros da zona oeste: Paciência, Cosmos e Inhoaíba a oeste; Guaratiba, Vargem Grande e Jacarepaguá ao sul; Senador Vasconcelos, Senador Camará, Santíssimo e Bangu a leste e mais o município de Nova Iguaçu na Baixada Fluminense ao norte.

Antecedentes

Inicialmente, a extensão de terras que vai do Rio da Prata até Cabuçu, que hoje corresponde à Região Campo Grande, era habitada por índios Picinguaba. Após a fundação da Cidade, em 1565, esse território passou a pertencer à grande Sesmaria de Irajá. Desmembrada desta em 1673, a área foi doada pelo governo colonial a Barcelos Domingues e, no mesmo ano, foi criada a Paróquia de Nossa Senhora do Desterro, marco histórico da ocupação territorial da Região.

 A Era Colonial

Antes da Freguesia Rural de Campo Grande começar a prosperar, sua ocupação foi influenciada pela antiga fazenda dos jesuítas, em Santa Cruz. Inicialmente desenvolveu-se na região o cultivo da cana-de-açúcar e a criação de gado bovino. O trabalho dos jesuítas foi de extrema importância para o desenvolvimento do Rio de Janeiro. Além das obras de engenharia que realizaram, como a abertura de canais e a construção de diques e pontes para a regularização do Rio Guandu, o escoamento dos produtos da Fazenda Santa Cruz, oriundos do cultivo da cana-de-açúcar e da produção de carne bovina, era feito através da Estrada da Fazenda dos Jesuítas, posteriormente Estrada Real da Fazenda de Santa Cruz, que ia até São Cristóvão e se interligava com outros caminhos e vias fluviais que chegavam até o centro da cidade.

Do final do século XVI até meados do século XVIII, a ocupação territorial da região foi lenta, apesar do intenso trabalho dos jesuítas, encerrado quando foram expulsos do país pelo Marquês de Pombal, em 1759. Os religiosos foram responsáveis por importantes obras de engenharia como estradas, pontes e inúmeros canais de captação de água para irrigação, drenagem e contenção da planície, sempre sujeita às enchentes dos rios Guandu e Itaguaí.

Entre 1760 e 1770, na antiga Fazenda do Mendanha, o padre Antônio Couto da Fonseca plantou as primeiras mudas de café, que floresceram de forma extraordinária, com mudas originárias das plantadas em 1744 no convento dos padres barbadinhos. Os historiadores apontam a partir daí o desenvolvimento que a cafeicultura teve em todo o estado no século XIX, espalhando-se pelo Vale do Paraíba aos contrafortes da Serra do Mar, atingindo, em sua expansão, a província de Minas Gerais.

Como a região era uma área nitidamente rural, os aglomerados humanos formados durante quase três séculos ficaram restritos às proximidades das fazendas e engenhos e às pequenas vilas de pescadores, ao longo da costa. Já no final do século XVIII, a Freguesia de Campo Grande começou a prosperar.

Seu desenvolvimento urbano ocorreu a partir do núcleo formado no entorno da Igreja de Nossa Senhora do Desterro, cuja atração era a oferta de água do poço que existia perto da igreja. Em Campo Grande, a exemplo do que ocorreu em toda a cidade, o abastecimento público de água foi um fator de atração e desenvolvimento. Foi tão importante para a região que se firmou um acordo garantindo a venda, pelo povoado de Campo Grande para o de Santa Cruz, das cachoeiras dos rios do Prata e Mendanha, com a condição de que as águas continuassem a abastecer o bairro.

Durante todo o século XVIII a ocupação territorial mais efetiva ocorreu em Santa Cruz, por causa do engenho dos jesuítas, e nas proximidades do centro de Campo Grande, cujas terras compreendem hoje as regiões de Bangu e Jacarepaguá. Essas terras eram atravessadas pela Estrada dos Jesuítas, mais tarde Estrada Real de Santa Cruz - que ia até São Cristóvão - e pelas vias hidrográficas da extensa Freguesia de Irajá. Toda a área, na verdade, era uma única região, um imenso sertão pontilhado por alguns núcleos nos pontos de encontro das vias de acesso, em torno dos engenhos e nos pequenos portos fluviais.

A fazenda dos jesuítas era tão importante para o governo colonial que suas terras não foram postas em leilão, após a expropriação, tendo sido incorporadas ao patrimônio oficial e depois transformadas por Dom João VI em Fazenda Real de Santa Cruz, após a transferência da corte portuguesa para o Brasil, em 1808. Com a chegada da comitiva real, a cidade do Rio de Janeiro modificou-se muito e todas as regiões tipicamente rurais sofreram sua influência. As atividades econômicas e culturais aceleraram-se e a zona rural voltou-se para o abastecimento da cidade e para os benefícios trazidos pela corte. Não houve, porém, uma aceleração do desenvolvimento da região, que continuou a manter suas características rurais.


Igreja de Nossa Senhora do Desterro

Campo Grande na atualidade

A Região Campo Grande tem o maior contingente populacional da cidade, e sua região central é uma das mais valorizadas da zona oeste, mas por ser a maior em área territorial, sua densidade líquida é a segunda menor entre as 12 regiões do Rio. Suas áreas verdes, seus grandes espaços livres ainda não ocupados, constituem suas maiores atrações. A região juntamente com Guaratiba representa a última grande fronteira para uma expansão de acordo com suas vocações específicas - manifestas historicamente desde o início da formação da cidade - e para o crescimento harmonioso, devido às potencialidades econômicas e culturais que o ambiente natural lhe proporciona desde os primórdios da sua ocupação. A Região apresenta grande potencial para o desenvolvimento de pólos de gastronomia e de turismo ecológico.

Atualmente a região vive um "boom" de lançamentos residenciais e comerciais como: Ecoway Campo Grande, Conjunto Mont Blanc, Atlantis Park, Premium, West Medical Center, Maiori Residencias esse último voltado para a classe média-média à alta. Tal fato se consolidou em 2007 quando o bairro ocupou o quinto lugar em número de lançamentos do município do Rio de Janeiro e hoje atrai grandes construtoras cariocas. Recentemente o grupo Multiplan anunciou que criará um bairro planejado em Campo Grande que deverá incluir residências e um shopping center.


Exterior do Complexo Esportivo Miécimo da Silva


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Educação


Na área educacional, Campo Grande apresenta um dos maiores números de concentração estudantil do Estado do Rio de Janeiro. O índice de freqüência às aulas é satisfatório, assim como o número de matrículas, que tem aumentado ano a ano.

O bairro ocupa a 82ª posição (dados 2000) dentre os bairros da cidade em relação ao índice de desenvolvimento humano com índice de 8,10. O IDH-L (Longevidade) é de 0,747, IDH-E (Educação) é de 0,931 e IDH-R (Renda) com índice de 0,751. O bairro de Campo Grande possui um dos melhores índices da zona oeste.

Os dados sociodemográficos indicam que a região cresceu à acentuada taxa de 22%, na década de 90, a segunda maior taxa de crescimento da cidade, superada somente pela Barra da Tijuca. É a região que tem o maior contingente populacional da cidade, tendo absorvido cerca de 200.000 novos residentes na década.

O maior crescimento populacional ocorreu na segunda metade da década: 14%, ou 126.096 novos moradores. Alguns bairros cresceram a taxas acentuadamente altas na década de 90, como Guaratiba (43%), Inhoaíba (36%) e Paciência (33%). Cabe destacar que dois bairros perderam população entre 1996 e 2000: Barra de Guaratiba (-11%) e Senador Vasconcelos (-2,5%).

Indústria e Comércio



Vista de parte do comércio e ao fundo o Maciço da Pedra Branca


O comércio no bairro é auto-suficiente, exercendo atração sobre outras regiões. Além do movimentado e popular Calçadão de Campo Grande, há opções de compras, serviços e lazer em shoppings modernos como o West Shopping e o Passeio Shopping.

O setor indústrial também está em crescimento. Campo Grande possui um Distrito Industrial localizado no quilômetro 43 da Avenida Brasil, abrangendo ainda a Estrada do Pedregoso. Em 1946 Bartolomeu Rabelo instalou um aviário em bases cientificamente aceitáveis para a época, onde iniciou-se a avicultura carioca, conseguindo atingir hoje um grau elevado de desenvolvimento neste ramo.

A atividade econômica local é composta por cerca de 3.700 estabelecimentos, 87,2% dos quais são do segmento de comércio e serviços, empregando aproximadamente 49 mil pessoas. O volume de negócios gera R$ 256,9 milhões de ICMS (US$ 221,3 milhões)(2), sexta arrecadação da cidade.

Entre as indústrias que se encontram instaladas em Campo Grande estão a AmBev, Refrigerantes Convenção, Guaracamp, Cogumelo (estruturas metálicas), Fredvic (confecção), Novartis (farmacêutica), Michelin, EBSE (soldas elétricas), Superpesa (estruturas metálicas), Dancor (bombas) e Ranbaxy (farmacêutica).

Transporte

 Ônibus

O bairro conta com um dos principais terminais rodoviários da zona oeste: o Terminal Rodoviário de Campo Grande, com baldeações para toda a zona oeste, zona norte, zona sul, Centro, o eixo Niterói-São Gonçalo, além das regiões serrana, dos lagos, sul fluminense e o estado de São Paulo.

 Trem

Campo Grande possui a Estação Campo Grande do segundo mais importante ramal de trens urbanos da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, o Ramal de Santa Cruz.

O mesmo é operado pela Supervia e nos horários de maior movimento apresenta intervalo médio de 12 minutos.

Há serviços de integração com ônibus utilizando exclusivamente o RioCard.

Esporte, Lazer, Cultura e Turismo

O esporte em Campo Grande tem sua maior representatividade no Campo Grande Atlético Clube, que já foi um dos principais times do futebol carioca. Campo Grande se beneficiou de uma das maiores obras realizadas na área do esporte nos últimos anos na região. O Complexo Esportivo Miécimo da Silva é o maior complexo esportivo pertencente a uma prefeitura municipal no Brasil. Desde então o complexo passou a receber diversos eventos esportivos, sendo o principal deles os Jogos Panamericanos em 2007.

Campo Grande tem como principais atrativos turísticos as paisagens naturais que possibilitam a prática de diversas atividades ligadas ao ecoturismo. O Parque Municipal da Serra do Mendanha localizado no Maciço do Gericinó tem como atrativos naturais trilhas para caminhada leve onde pode-se observar a pujança da mata atlântica em seu melhor grau de preservação, piscinas naturais, cachoeiras, rios e vestígios vulcânicos. Já no Parque Estadual da Pedra Branca é possível praticar caminhada pesada ao ponto culminante do município do Rio de Janeiro que possui um belíssimo visual. Sua altitude máxima é de 1.025 metros.


A escola de samba Sereno de Campo Grande representa o bairro no Sambódromo da Marquês de Sapucaí

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